quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sinfonia

       Postei, anteriormente, sobre a decisão de ser exclusivamente, dona de casa. Ainda estou deslumbrada com esse universo...é gostoso demais amar e ser amada por sua própria casa é uma sintonia impressionante no mesmo instante que excitante! (Exagerada? Não consigo esconder a felicidade).
   Outro dia fui ao mercado, aqui mesmo, pertinho de casa, e ando um trecho de mais ou menos oito minutos, a pé, e sorri de mim mesma deslumbrada com essa nova fase... Imaginem, eu andando pela rua sorrindo para as árvores, ouvindo o som dos pássaros, sem pressa alguma, sem conferir tempo no relógio a todo instante, afagando a cabeça das crianças com suas mães zelosas que passam por mim, parando para observar os estilos de casas e cumprimentando os vizinhos que como eu, passeando com seus cães para o banho de sol, assistindo a abertura de cada pacato comércio entre as quadras...isto é que é qualidade de vida, não aquela correria que eu vivi! Kkkkk.
   Não estou esnobando, posso voltar à correria a qualquer momento  e, por esta possibilidade  passar por minha mente é que aproveito cada detalhe, o sabor de ser a zelosa e deslumbrada dona de casa (ando com  a sensação de que acabei de me casar e assumir uma casa novinha).
       Foi de onde partiu, o tema do devaneio que ora escrevo, feliz da vida (sempre!)
       Atentei-me aos sons da rua, cada casa, cada comércio...
       Aproveitando parei no salão para retocar a beleza e lá sentada na cadeira da gentil atendente, que havia acabado de abrir seu estabelecimento, me tendo como primeira cliente,  me senti ótima por não precisar marcar horário para depois.  Ali sentada, me despertou a  atenção o som da água da mangueira lavando a calçada da casa nos fundos da loja, saí e me atentei ao som de vozes das crianças na escola logo à frente, parece som da mais bela melodia.
  Seguindo a  rota, bem ao fundo de uma casa, uma mãe alertando ao filho sobre uma possível queda de algum lugar onde o pimpolho, para não dizer pentelho, rsrsrs, estava a subir (isto aos berros, mas, achei igualmente melodiosa, aquela canção).
         Continuando o trajeto, sons de ferramentas e maquinários junto a pedidos enérgicos acompanhados de meia dúzia de palavrões, do que pareceu ser o mestre ao seu ajudante para acelerar a preparação da massa, na construção (ou reforma) de uma residência. Ouvi mais à frente, vozes de súplicas e orações ao passar próximo a uma capela, sons de vassouras atritando com frenesi no afã de deixar tudo renovado, tudo limpo. Ouvi entre uma residência e outra, barulho de panelas dando inicio à orquestra do almoço com aquele chiado encantador da panela de pressão lembrando que logo, logo seria hora de deliciar aquele apetitoso ou mesmo modesto almoço.  Ouvi musicas diversas e sons de rádios ligados.Todos esses sons e movimentos foram se formando aos meus ouvidos e na minha mente como o som de uma grande sinfonia de sons diversos com o sábio maestro conseguindo colocar todos os instrumentos em harmonia, formando uma bela e graciosa canção.
      Aos ouvidos de muitos pode até incomodar, passar despercebido, ser atordoante ou rotineiro, mas para mim, nesse momento de deslumbramento, é a mais bela ode à vida.
     Andando pela rua, em direção aos afazeres, notei esta sutileza da vida... Tiram-se melodias até mesmo nos afazeres do dia-a-dia.
    O que me encanta é que eu já sabia que era assim, mas até então, não fazia parte do elenco e hoje ajudo a produzir som para esta orquestra!
    Perceba os sons da rua quando estiver transitando entre as casas e quadras é muito legal... lembre-se que faço parte desta orquestra, ok? (não sei até quando, kkkkkk!)
    Que presente, que maravilhoso presente de Deus para mim, neste momento!!
    Forte abraço,
    Até a próxima!